Hoje vou falar de uma coisa que ninguém me disse quando eu
estava grávida. Ninguém mesmo. Nem ginecologista, nem mãe, amigas mães, sites,
livros e revistas de gestante. Problemas na amamentação. Sim, me falaram que o
bico rachava, que sangrava caso a pega não estivesse correta (graças a Deus não
tive esses problemas), mas ninguém me falou o quão dolorido podia ser a
experiência. Explico o motivo a seguir.
Escolhi o tema porque hoje mesmo reparei o tanto de amigos,
mães e pais de primeira viagem, que tenho no Facebook. Quem sabe posso ajudá-los
um pouquinho com um assunto que as pessoas não costumam tocar.
Voltando no tempo, ao dia 8 de setembro de 2010, dia em que a
Sofia nasceu. Após o parto a colocaram logo no peito para mamar, quem disse que
dava certo? Nada disso. Ela não pegava de jeito nenhum. Neste dia, ou melhor:
noite, estava tranquila, pois tinha lido que a criança não nasce com fome e que
poderia aguentar até 24 horas após o parto sem mamar. Passamos a noite, de vez em quando alguém
tentava colocar Sofia para mamar e nada dela querer.
O dia foi passando, tomou o primeiro banho, tão linda,
fofinha e cor de rosa...
E sempre que chegava alguém me perguntavam: E ela já mamou?
Comecei a ficar meio apavorada. Imaginei que teria dificuldades para amamentar,
principalmente por ter mamilo invertido, mas os livros me disseram que isso não
era impedimento e que tudo era muito fácil. Como diria Peppa Pig, ai teoria
bobinha.
Passamos um dia inteiro tentando sem sucesso. Chegou o
momento em que tive que ordenhar (igual vaca mesmo) o leite e dar para Sofia no
copinho. Meu Deus! Que dor era aquela quando a enfermeira veio tirar o leite.
Não tinha percebido, mas o peito encheu de colostro nas quase 24 horas após o
nascimento de Sofia. Aquela dor pra mim é inesquecível, enquanto me ordenhavam
escorriam lágrimas do meu rosto. E para piorar eu não estava preparada para
aquela situação. Afinal de contas, não estava nos livros.
Digo que os primeiros dias na maternidade foram uma mistura
de alegria enorme pela chegada da minha filha e uma grande angustia quando
chegava a hora de “tentar” dar mamar. Foram muitas tentativas, e todas em vão.
Tinha uma enfermeira no hospital que conseguia, mas ela não me ensinava como. E
Sofia só mamava no peito nos dias em que ela estava de plantão. Eu não desisti,
queria amamentar, pois sabia que era o melhor pra ela. A cada tentativa que não
dava certo, a cada nova ordenha, eu só chorava. Nem alta podíamos ter, pois a
criança que não mama não pode ir pra casa. E como eu me neguei em dar o
complemento, nós fomos ficando. Seis dias de internação no total!
Até que uma pediatra nos deu alta, pois eu tinha conseguido,
com a ajuda de um mamilo de silicone, coloca-la para mamar. Ufa! Alta, vamos
para casa!
Em casa as coisas não mudaram muito. Eu ainda sentia dores,
pois tinha muito leite e ele não estava sendo tomado, e Sofia mamava muito
pouco no peito. Nesses dias ela basicamente só bebia leite no copinho (não quis dar mamadeira para não piorar tudo né).
No oitavo dia de nascimento nós fomos ao posto de saúde para
que ela tomasse algumas vacinas. Eu, a mãe nada corajosa, nem olhei e o
Reinaldo a segurou para as primeiras picadas. Quando ele já estava na porta de
saída, perguntaram? “Está tudo bem? Vocês tiveram algum problema com a
amamentação?”
Hum... aquela pergunta! Reinaldo respondeu que sim, tivemos
problemas. E então nos levaram até uma enfermeira, mas que na verdade pra mim
parecia um anjo. Ela finalmente me
ensinou a dar de mamar a minha filha. A
enfermeira do posto de saúde foi muito carinhosa, algo importante quando
estamos tão sensíveis, paciente e conhecia bem a técnica. Nosso primeiro passo
foi encontrar uma posição confortável para mãe e filha. Uma outra dica
importante era de sempre fazer a ordenha manual antes de oferecer o peito. Isso
facilitava a pega, pois fica mais macio para a criança. Sofia passou a mamar
direitinho e eu não senti mais dores. Durante algum tempo continuamos
frequentando o posto para que a enfermeira visse como estávamos nos saindo.
Sempre acreditei que amamentar fosse algo natural, que não
tivesse segredos, que era fácil. Só o bebê chegar e tomar de conta. Esse
pensamento fez com que eu me sentisse mal nesse período. Querendo ou não me
achava um fracasso de mãe por não conseguir alimentar minha filha com meu
leite.
Encontrar aquela profissional foi fundamental para que eu não
desistisse da amamentação. Aos poucos fui percebendo que sim, muitas mães
precisam aprender a dar de mamar, é muito mais comum do que eu pensava. E pude
entender também o motivo de tantas mães abrirem mão de amamentar. Pude entender
por que eu passei por um sofrimento muito grande e se não tivesse encontrado o
apoio do meu marido, de minha mãe e daquela enfermeira, provavelmente não
conseguiria resistir por muito tempo.
Sei que existem casos de super bebês que chegam chegando.
Mamam de primeira e não passam por estas coisas. Geralmente, escuto isso de
mães de meninos. As meninas costumam ser mais “sossegadas”.
Ao final de um mês estávamos bem adaptadas e amamentar passou
a ser uma experiência extremamente prazerosa. Sinto saudades até hoje. Sofia
mamou menos do que eu desejava, 9 meses, mas foi ela quem decidiu parar, se
dependesse de mim continuaria por mais tempo. Fiquei até um pouco deprimida
porque largou tão cedo, mas hoje penso que o ideal é que a criança escolha o
tempo de parar.
Vou listar algumas coisas que descobri e que acredito vão me
ajudar muito quando eu tiver outro bebê:
- Cada bebê tem seu tempo de mamada. Alguns tomam tudo o que precisam em poucos minutos, já outros, como a minha Sofia, levava cerca de 40 minutos para mamar;
- Não existe leite fraco!! Não existe mesmo. Eu escutei isso de algumas pessoas e mesmo sabendo a teoria de que isso não existe eu cheguei a me culpar, pois Sofia não ganhou peso durante o primeiro mês, mesmo tendo acertado na mamada. Com exatamente um mês descobrimos que ela tinha refluxo! Por isso não estava tão gordinha quanto os outros esperavam. Foi só tratar o refluxo que ela passou a crescer normalmente;
- Eu não tive fissuras no mamilo. Usei a pomada Lasinoh após as mamadas e não tive problemas com isso. A pomada é a base de lanolina e não precisa tirar antes das mamadas. Usei menos da metade de um tubo, vale a pena investir;
- Compre muitos sutiãs de amamentação, principalmente no começo, costuma vazar muito e eles acabam molhando constantemente;
- Aproveite esta fase deliciosa que é a amamentação. Curta, namore seu bebê, faça carinho nele. Esse momento é apenas de vocês dois;
- Se precisar de ajuda profissional com a amamentação busque os serviços públicos. Eles são referência nisto. Eu tive ajuda de profissionais do banco de leite da maternidade em que Sofia nasceu, mas quem realmente me ajudou foi uma profissional da rede pública de saúde. Acredito que a demanda é maior e por isso nos bancos de leite públicos você encontrará pessoas extremamente experientes;
Despeço-me por aqui e aviso que não falarei apenas de
maternidade. Estou preparando uma nova postagem sobre um assunto que pouco tem
a ver com ser mãe! Você que é mãe compartilhe suas dúvidas e descobertas aqui.
Abraços e até a próxima.


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